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Cinema Itinerante |
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Mostras
Audiovisuais em Velas de Jangada no litoral alagoano
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Projeto de exibição de filmes e vídeos,
em eventos performáticos no Litoral Norte do Estado de Alagoas, sob a
curadoria de Hermano Figueiredo, utilizando como suporte as velas de
jangadas. Promovido pela Ideário,
no período de dezembro de 2005 a fevereiro de 2006, com recursos do Fundo
Nacional de Cultura, pela Secretaria do Audiovisual, Ministério da
Cultura,
Governo Federal. |
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Vila de Pescadores, em Jaraguá
- Maceió/AL
Dia: 29 de dezembro de 2005
Durante todo o dia, percorremos a Vila conversando com líderes
comunitários, pescadores, marisqueiras, estudantes. Distribuímos os
panfletos e afixamos cartazes, explicando a novidade alardeada por uma
bicicleta com um sistema de som que fizemos circular às vielas estreitas.
Era o cinema fora do cinema para todo mundo ver. Começamos a sessão por
“São Luis Caleidoscópio”, no qual pessoas dançam bumba-meu-boi; em
seguida um filme de animação deu sequência e agradou, principalmente as
crianças. O filme alagoano “Mirante Mercado”, falando do estar no mundo
de trabalhadores das ruas de Maceió, prendeu a atenção dos espectadores.
Mas também começamos a observar que o público ia diminuindo. Depois
ficamos sabendo que estávamos num lugar em que havia um conflito, e a
comunidade moradora do outro lado da Vila não frequentava aquele lugar e
assim o público foi menor do que o esperado.
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Povoado Massagueira (Lagoa
Manguaba)
Dia: 05 de janeiro de 2006
Às margens da Lagoa Mundaú, a Massagueira abriga uma comunidade que, em
grande parte, vive da pesca e da comercialização de doces. É um lugar de
grande exuberância paisagística. Escolhemos exibir junto a um cruzeiro,
numa pracinha. O barco foi retirado d’água e posto à margem; o público
logo foi chegando; no entanto, tivemos que aguardar o fim de uma novena
que faziam na igreja em frente. A mostra começou com a exibição de desenho
animado, o que agradou ao público infantil. Foram exibidos curtas de
ficção que também foram bem recebidos, mas o público saiu do sério mesmo
com o documentário alagoano “Mirante Mercado”. Após a sessão concedemos
longa entrevista par o site “overmundo”.
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Praia de São Bento -
Maragogi/AL
Dia: 06 de janeiro de 2006
A bucólica praia de São Bento, povoado de Maragogi, foi a base de
operações do projeto e a primeira exibição foi divulgada pelo próprio
serviço de som do projeto e por cartazes afixados na véspera. Assim que a
brancura da vela recebeu as primeiras imagens, o público foi chegando de
um lado e de outro e se acomodando em cadeiras que iam trazendo de casa,
troncos de coqueiros e até na branca areia. Aplaudiram todos os filmes,
mas se divertiram e se identificaram com o filme alagoano “Mirante
Mercado” e ao saberem que foi produzido pela Ideário e dirigido por
Hermano Figueiredo, praticamente exigiram que filmássemos também as
curiosidades e personagens locais. Atendemos ao pedido documentando um
pouco do cotidiano, da cultura e entrevistando alguns personagens. O
destaque foi os contadores de coco local.
Praia de São Bento -
Maragogi/AL
Dia: 11 de janeiro de 2006
A segunda exibição em São Bento foi a cerca de
500 metros da anterior mas, nem sabíamos que aquilo determinaria um
público diferente do evento anterior. A composição era de moradores locais
e turistas que veraneiam naquela localidade, a maioria do Estado de
Pernambuco. Receberam a divulgação nas pousadas através de cartazes e
panfletos com grata surpresa. A jangada foi estacionada num coqueiral
entre a rua e a beira da praia. Mais uma vez as cadeiras trazidas de casa
e das pousadas e troncos de coqueiros foram os assentos do nosso cinema ao
ar livre.
Praia de São Bento -
Maragogi/AL
Dia: 18 de janeiro de 2006
A terceira exibição em São Bento
foi no local da primeira atividade, atendendo a solicitação de parte da
comunidade que se sentiu desprestigiada com a escolha do local da
exibição anterior. Era grande a expectativa para ver o breve documentário
sobre São Bento. Naquele dia recebemos o realizador pernambucano,
residente no Rio de Janeiro, Petrônio de Lorena que subiu à jangada para
apresentar seu filme. Foram exibidos três curtas, antes do aguardado
documentário que, quando finalmente foi exibido, foi recebido ruidosamente
pela platéia. Provocou risos, comoveu e ainda deu um afago na auto-estima
dos caiçaras.
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Praia de Barra Grande -
Maragogi/AL
Dia: 12 de janeiro de 2006, 19 horas
Barra Grande é uma praia de águas
de um azul muito claro e de uma areia muito branca e fina. A jangada no
horário combinado apontava em direção ao local combinado empurrada pelo
vento que fazia bochecha na vela mais branca que pudemos encontrar. E mal
terminamos de estacionar a embarcação, montar o equipamento de som e de
projeção e fazer os testes, o público já começava a se acomodar nuns
degraus que margeavam a areia da praia, atraídos pela publicidade feita
pelo serviço de som de uma miniatura de caminhão de trio elétrico que
ostentava o banner do projeto. Foi um público encantado e vibrante com os
filmes, o que constatamos pelas muitas gargalhadas, aplausos e perguntas
que fizeram depois da sessão.
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Porto de Pedras/AL
Dia: 14 de janeiro de 2006, 19 horas
Saímos de São Bento, passamos por toda extensão de exuberantes praias de
Japaratinga até a balsa, que atravessamos e chegamos em Porto de Pedras,
uma das cidades mais antigas do Brasil, muito citada nos livros de
história que tratam do período holandês. Já na véspera tínhamos acertado
tudo com o pescador que locou a jangada e com um assessor do prefeito que
nos garantiu apoio na divulgação. Quando a lua cheia subia amarelada,
começávamos a sessão que durou cerca de hora e meia e agradou ao público
que atendeu aos chamados do carro de som, cartazes afixados e panfletos
distribuídos. Precisamos antes solicitar que um bar a trezentos metros
diminuísse os milhares de decibéis que torturavam nossos ouvidos com uma
coisa chamada de “música” que escutavam. A partir daí o público aumentou e
um grupo de pescadores, dirigentes da colônia local, começou a exigir
imagens de Porto de Pedras e começaram a sugerir uma espécie de roteiro.
No mais, percebemos que os filmes agradaram a crianças, jovens, adultos e
até a alguns que visitavam a cidade. Desarmamos o "circo" e pegamos a balsa
de volta.
Porto de Pedras/AL
Dia: 15 de janeiro de 2006, 19 horas
Mais uma vez, deixamos a nossa base
em São Bento e pegamos a balsa em Japaratinga para Porto de Pedras. Na
balsa tinha um sujeito que parecia ser um vendedor de antenas em
semáforos, mas que, na verdade, estava monitorando os peixes-boi (Porto de
Pedras é a sede do projeto Peixe-boi em Alagoas). Ele nos informou que os
peixes-boi que foram reintroduzidos no mar há dez anos estavam o macho
“Sol” em Sergipe e a fêmea “Lua” numa praia do litoral sul. Lembramos que
a Ideário realizou exibição de filmes numa vela de jangada na última
reintrodução de peixes-boi, dois anos antes e disse que o barco que usamos
era dele. Desembarcamos. A jangada já estava estacionada no local
combinado, parte da equipe foi panfletar e a outra parte instalava tanto o
som como os projetores e procedia os testes. A movimentação atraiu
rapidamente o público. Estava bonito de olhar, algumas bicicletas
perfiladas serviam de acento a seus donos, outros sentaram em cadeiras
cedidas pelo bar mais próximo e outros na areia da praia. Alguns revezavam
o olhar, ora para o filme, ora para o projetor. Entre um filme e
outro falamos que a intenção do projeto era também estimular os cidadãos e
o governo municipal a criar espaços de difusão do produto audiovisual
brasileiro em sua própria cidade.
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Maragogi/AL
Dia: 19 de janeiro de 2006, 20 horas
Numa atitude de agradecimento ao
município de Maragogí, mesmo tendo cumprido o número proposto de
exibições, e atendendo o pedido de nossos colaboradores e de diversas
pessoas da cidade, inclusive da equipe que locou o serviço de som,
resolvemos fazer uma exibição na sede do município. Ali tivemos a
colaboração de pescadores que deslocaram por terra uma pesada jangada a
uma distancia de 350 m do local da exibição. A exibição foi numa praça em
frente ao mar com uma cobertura de palha, que deu garantia contra a chuva.
O público era dividido entre pescadores, outros moradores de Maragogí e
turistas. A mostra de curtas foi eclética e agradou ao público que
retribuiu com atenção e aplausos. A programação foi fechada com a exibição
do doc alagoano “Mirante Mercado”. Entre um filme e outro, de cima da
jangada, falamos sobre o projeto e sobre os filmes exibidos.
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Marechal Deodoro/AL
Dia: 31 de janeiro de 2006, 19 horas
Às 17 horas, o barco à vela aportou
no local combinado da Lagoa Manguaba, bem no centro da cidade histórica de
Marechal Deodoro. Os cartazes afixados dias antes e os panfletos
distribuídos à tarde mobilizaram os expectadores, em especial estudantes,
para a sessão que começou às 19 horas. O público ouvia atento às preleções
antes dos filmes e aplaudia cada filme com entusiasmo. Ao fim da sessão
estudantes perguntaram quando teria nova sessão e se teria toda semana,
torcendo para que virasse uma atividade cultural permanente na cidade.
Marechal Deodoro/AL
Dia: 08 de fevereiro de 2006, 19 horas
Os primeiros expectadores a chegar
foram estudantes que estiveram na exibição anterior, e a medida que as
aulas foram terminando e algumas escolas liberando seus alunos, o público
foi aumentando. Chegou uma equipe da afiliada da TV Globo que gravou
matéria exibida nacionalmente no Jornal da Globo no dia seguinte. A
matéria (mídia espontânea) teve grande repercussão, dando grande
visibilidade à ação de exibição de filmes em velas de jangadas.
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Garça Torta, Maceió/AL
Dia: 03 de fevereiro de 2006, 19 horas
Os pescadores e suas famílias foram
os primeiros a chegar, seguidos de outros moradores, veranistas e
turistas, que logo lotaram as embarcações que serviram de assentos. O
público era heterogêneo mas, aplaudia todos os filmes, uns com mais força
e com mais palmas. Nesta noite tivemos a presença de uma comitiva de
representantes de ONG´s de vários Estados do Nordeste, que estavam num
evento em Maceió (Mobilizar) e ficaram extasiados com as mostras
de filmes em vela de jangada. Deram entusiasmados depoimentos de que este
projeto deveria ultrapassar as fronteiras de Alagoas para outras cidades
nordestinas.
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Praia de Jatiúca (Posto 7) -
Maceió/AL
Dia: 11 de fevereiro de 2006, 20 horas
O local conhecido como Posto 7, na
badalada praia de Jatiúca, recebeu um público que no começo, às 19 horas,
era de aproximadamente 100 expectadores mas, depois do terceiro curta
exibido chegou a mais de 400. A mostra terminou por volta da meia noite.
Nas preleções de Hermano Figueiredo antes de cada filme foi divulgada
abertura das inscrições para o DOC TV e da Oficina com Geraldo Sarno, que
prestigiou o evento e teve um curta exibido. Sarno falou ao público de
cima da jangada sobre o seu filme e sobre a oficina que começaria dois
dias depois. O cineasta ainda elogiou o projeto Acenda uma Vela. O público
participou com perguntas e manifestações de opiniões.
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