CALABAR
Vídeo Documentário de Hermano Figueiredo
Vencedor do Prêmio DOC TV III

  Calabar: um homem sem rosto para a
posteridade mas que projetou
seu nome numa controvérsia histórica
para séculos depois da sua morte.

 
 
  Evento de Lançamento CALABAR

No dia 29 de março de 2007, na cidade de Maceió,  aconteceu com grande sucesso o pré-lançamento de CALABAR, num evento que reuniu mais de 1500 pessoas que lotaram o maior teatro do Estado de Alagoas, no Centro de Convenções.  Este número expressivo para assistir a um documentário demonstra como o tema mexe com o alagoano e também atesta a popularidade do diretor e performer Hermano Figueiredo, que há décadas vem desenvolvendo um trabalho pela democratização da produção audiovisual e tem em seu currículo a direção de curtas premiados em festivais nacionais e outros exibidos em mostras internacionais.



Teatro Gustavo Leite lotado, no dia 29 de março de 2007, pré-estréia de Calabar
 

 
 

Os artigos, opiniões e depoimentos que chegaram sobre o filme 

Opinião - por Ênio Lins*
(Coluna Zé Elias 08.04.2007 - Jornal Gazeta de Alagoas)
           Consagrado no lançamento, por mais de mil pessoas presentes  no Teatro Gustavo leite, o documentário sobre Calabar reacende esperanças culturais alagoanas.  Hermano Figueiredo, cineasta responsável pela façanha de apresentar Calabar, merece os parabéns pela iniciativa e
talento na abordagem cinematográfica, do mais alto nível, de uma polêmica de mais de trezentos anos.
           O sucesso de público e de crítica desta produção soma-se aos sucessos de outras experiências no mesmo caminho e comprova a excelência dos temas alagoanos para o fértil campo do cinema (assim como também para a literatura, teatro, artes plásticas...). O guerreiro de Porto Calvo já tinha seu lugar garantido nas artes desde "Calabar, o elogio da traição", peça de Chico Buarque de Hollanda, nos idos de 1973. Mas aí reside a vitalidade dos grandes personagens: sua riqueza nunca é esgotada completamente, permanecendo sempre de portas abertas para novas abordagens.
* Ênio Lins é arquiteto e jornalista.


Opinião - por Edberto Ticianeli*
           Confesso que temi pelo pior quando recebi o convite e verifiquei que o local de lançamento do  documentário CALABAR era o Teatro Gustavo  Leite, com 1200 lugares, achei que era ousadia demais.
           Para minha surpresa, uma verdadeira multidão prestigiou o evento. Nunca pensei que um documentário despertasse tanto interesse.
           Vivendo e aprendendo. Principalmente, vendo que um documentário, sobre um tema tão polêmico e sem grandes informações documentais, pode ser uma obra de arte. Hermano e toda a sua equipe estão de parabéns por terem marcado um tento histórico na cinematografia alagoana.
* Edberto Ticianeli é Gestor Cultural, ex-Vereador de Maceió, ex-Secretário de Cultura do Estado de Alagoas.


Opinião - por Lis Paim*
        Teatro Gustavo Leite, cinco para às oito, mostro meu convite e sento em uma das últimas cadeiras reservadas. Em silêncio, observo o movimento de pessoas subindo e descendo as escadas, sentando nos corredores, de pé ao fundo do teatro, frente às cadeiras lotadas. Atrás  de mim, uma senhora talvez perto dos oitenta, lia atenta o folheto informativo do filme. Na fileira da frente, uma pequena de uns sete anos pedia silêncio ao pai no apagar das luzes.
         A tela acende e "Calabar", de Hermano Figueiredo, ganha vida diante dos mil e quinhentos pontos brilhando no escuro para ver uma produção independente alagoana, marcadamente masculina para questionar a História fora dos bancos das universidades, em pleno palco de Maria Bethânia, Marisa Monte e Deborah Colker. Não consegui esconder o espanto. Um teatro lotado por gente de todo tipo, e que, em muitos casos, nunca havia sentado diante do palco mais nobre da cidade. Lotado para acompanhar um documentário no Brasil. Documentário de tema local. É, não foi ninguém que me contou. 
         Surpresa também ao ver tantas visões em um mesmo filme, que chega para contar a história dos livros como conversa de bar, simples, direta. E o público, formado em grande parte por jovens (sim, a nova geração sabe apreciar o documentário!), soube entender e aplaudir em cena aberta a espontaneidade da tela. Uma História carregada da poesia grave de Lêdo Ivo e Maurício Macêdo, que explodia em cores e sons pelas ruas de Porto Calvo, feiras, fortes, canaviais e panos brancos das projeções. Estética ousada, controversa e de beleza estranha, mas que não tirou a seriedade do tema e cutucou a História e a memória com vara curta, sem pudores.
         Assim também vi Calabar, um homem sem rosto para a posteridade, mas, com pelo menos, mil e quinhentas visões em uma só noite.

* Lis Paim é f
ormanda do Curso de Comunicação da UFAL.


Opinião - por Noemia Monteiro Bito*
         
Hermano: Não vou escrever esta mensagem para lhe dar meus parabéns pelo documentário. Não mesmo. Creio que diante do jogo de luz e sombra no rosto de alguns estudiosos do assunto, dos sons que se misturavam dando o efeito de eco em nossas consciências, das imagens que variavam entre cenários, personagens e animações, em estúdio, museus, restos de construções antigas, ruas do nosso interior, você apareceu com um jeito bem nordestino de palavras negras em telas brancas. De falar de liberdade em terra tão carente dela e que por ela deixou de gritar por desconhecer sua própria história e da de gente como Calabar. Eita que dou parabéns é a nós todos, porque ganhamos todos com os frutos do seu esforço. Desejo que ele corra mundo, pois nosso quintal é rico e merece ser visitado pelos olhos de muitos. Descobri que a história contada pela apostila do cursinho estava errada. Ainda bem que não vou mais morrer enganada. Coloco-me à sua  disposição para divulgar o seu documentário.

* Noemia Monteiro Bito é Professora do Curso de Comunicação da UFAL.


Artigo -
"Calabar, sem controvérsias" - por Rachel Rocha de Almeida Barros*
            “Calabar”, do cineasta pernambucalagoano Hermano Figueiredo, vencedor do DocTv 2006
em Alagoas, é um documento contemporâneo. Trata do episódio histórico da invasão holandesa

no nordeste brasileiro, no século XVII, e da controversa figura do mulato(?), do caboclo(?),
do pardo(?) Domingos Ferreira Calabar que fez a produção historiográfica nacional e local
se dividir em tentativas de classificá-lo ora como traidor, ora como herói. É um documento
contemporâneo não apenas porque trata o referido episódio histórico a partir de um conjunto
de interpretações produzidas no presente, mas justamente pela consciência aguda que
demonstra ter do processo.
            Elegantemente construído a partir da querela histórica, não se prende, entretanto, a 
nenhum dos estereótipos sugeridos; ao contrário: é elaborado de modo a ampliar o horizonte de
compreensão sobre o episódio, distinguindo, através de depoimentos pontuais de especialistas,
questões fundamentais a esta nova compreensão, como a necessária distinção entre os discursos da
memória e aqueles da história; ou a explicitação da idéia de que optar por uma ou outra classificação
(herói ou traidor) esclarece pouco sobre a controversa figura de Calabar e, menos ainda, sobre aquele
momento histórico.
            Fruto de uma pesquisa que Hermano Figueiredo já vinha desenvolvendo há alguns anos,
contando com a assessoria do professor Alberto Flores, do curso de História da UFAL, o filme 
resultou num surpreendente produto que demonstra a força e a importância da elaboração de
linguagem do documentário brasileiro (e alagoano), e que se inscreve, entre outras, numa tradição de
pesquisa embasada, e na necessária sensibilidade e capacidade de articulação do roteirista
e do diretor para dialogar com os discursos transversais que a contemporaneidade produz sobre
seu passado.
            Além da acertada abordagem sobre o tema, de sua aguda sensibilidade contemporânea, o
filme de Hermano Figueiredo oferece soluções plásticas que incorporam outras linguagens, como
a do teatro de sombras; histórias em quadrinhos, estes e outros recursos criativos, que o cineasta
maneja com maestria, elegem um caminho narrativo que o possibilita tratar o tema pelo caminho
não-ficcional.
            Descentrando referências de modo invulgar, como quando possibilitou o uso de ex-votos
num contexto inteiramente novo: o do esquartejamento; ou lançando mão de fusões de imagens e
de sons para explicitar o emaranhado de interrogações que pairam sobre o personagem, o filme de
Hermano Figueiredo, mesmo se debruçando sobre o século XVII, faz dialogar com o século XXI.
            Todos os depoimentos que estão em *Calabar* acrescentam algo de importante, de
de fundamental ao texto fílmico e à reflexão contemporânea sobre o episódio, com os 
discursos realizando uma costura argumentativa sutil e consistente. Essas falas, e as poesias
de Ledo Ivo e de Maurício de Macedo que integram o filme reverenciam a reflexão local sobre o
episódio. Mostram uma Alagoas pensante, pulsante; demonstram o quanto, mesmo peninsulares,
nos interessamos por nós. Calabar rompe com nosso isolamento porque nos faz dialogar.
            A importância de *Calabar* enquanto registro contemporâneo - numa terra sem memória
como tem sido tantas vezes classificada Alagoas - é grande; isto porque são iniciativas como esta
que possibilitam que Alagoas dialogue com seu passado, com sua história, que desenvolva a
consciência de que está fazendo história também quando reflete sobre a história. 
            Mais do que ausência de memória, o problema em Alagoas parece ser, mais exatamente,
o de uma ausência de práticas de rememoração. Memória temos, em abundância, e reunimos por
aqui tantos fatos fundadores e fundantes que Alagoas poderia ser referência nacional da vida política
brasileira. Mas essa é uma outra história, com desdobramentos e conseqüências que a torna longa
demais para ser tratada aqui.
            De toda forma, para todos os que se ressentem da falta de mediadores sociais em Alagoas,
da falta de ação por parte de pessoas que pelo capital cultural que detêm espera-se que se empenhem
na construção dos necessários "links" que toda sociedade tem que desenvolver para garantir, de forma
equilibrada, que o diálogo entre suas várias referências constitutivas se estabeleça, o filme de Hermano
é uma grata surpresa. E o Teatro Gustavo Leite estava lotado (uma média de 1500 pessoas) na noite do
dia 29 de março, quando o documentário foi lançado oficialmente para a sociedade alagoana numa grande
demonstração de força tanto do filme como do Programa DOCTV.
            Evidentemente, este sucesso não teria sido completo sem a produção competente de Regina
Barbosa que, além de produtora de cinema é também escritora, editora e dirigente da Ideário
Comunicação e Cultura, esse engenho de boas idéias de onde o filme foi gerado. Teve ainda a
qualificada participação da Staff Vídeo em sua fase de execução. Importa dizer que coordenar a bom
termo um projeto como este, demonstra o amadurecimento da produção cultural local e sua capacidade
de nos oferecer excelentes frutos.
* É professora de Antropologia e pesquisadora do Laboratório da Cidade e do 
Contemporâneo – LACC/ICS/UFAL.
 
 

Veja clipagem de principais noticias e matérias sobre o filme     

Portal do MINC
http://www.cultura.gov.br/noticias/noticias_do_minc/index.php?p=24761&more=1&c=1&pb=1

Jornal Gazeta de Alagoas. 29 de março de 2007
http://gazetaweb.globo.com/gazeta/Frame.php?f=Index.php&e=1609

O Jornal - 28 de março de 2007
http://www.ojornal-al.com.br/28032007/index.php


Site TV Cultura
http://www.tvcultura.com.br/doctv/doctvIII_programas_04-calabar.htm

Site Overmundo
http://overmundo.com.br/blogs/calabar

Agência Alagoas - Gabinete Civil
http://www.gabinetecivil.al.gov.br/noticias/izp-promove-lancamento-do-documentario-calabar-nesta-quinta-feira-no-centro-de-convencoes/view

Comentário de Ênio Lins - Coluna Zé Elias - Jornal Gazeta de Alagoas - 08.04.2007
http://gazetaweb.globo.com/


ASSISTA aos TRAILLERS, clique nos links abaixo:

CALABAR 1/3
http://www.youtube.com/watch?v=FUPkA_0wELA
 
CALABAR 2/3
http://www.youtube.com/watch?v=OUSd7mP1Ydc&mode=related&search
 

CALABAR 3/3
http://www.youtube.com/watch?v=S1IlvHldOXA&mode=related&search
 
 

 

 
  Patrocínio - Evento de lançamento
BRASKEM

Produção executiva - Evento de lançamento
Ideário Comunicação e Cultura  /  Instituto Zumbi dos Palmares

Produção de Documentário CALABAR
Staff Vídeo Produções


Prêmio DOC TV III
- Instituto Zumbi dos Palmares / Governo do Estado de Alagoas
- Fundação Padre Anchieta  - TV Cultura
- Ministério da Cultura, Governo Federal
- ABEPEC
- Apoio: Associação Brasileira de Documentaristas
Banco do Nordeste

 Apoio na produção de Documentário CALABAR
- Prefeitura Municipal de Maceió (Fundação de Cultura Cidade de
Maceió e SMTT - Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito)
- Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas
- Instituto Ricardo Brenand / Pernambuco
- Forte Orange - Itamaracá/PE
- SESC Alagoas
- Galeria Karandash
- UNIMED
- Restaurante Sueca
- Restaurante Cozinha Velha
- Ideário Comunicação e Cultura


Entrevistados:
Dirceu Lindoso  (Historiador)
Alberto Flores (Professor) 
Edson Bezerra (Sociólogo)
Bruno César Cavalcanti (Sociólogo)
Maurício Macedo (Poeta)
Leonardo Dantas (Jornalista)
Osvaldo Acioly (Professor)
Rômulo Luis Xavier (Professor)
Adelmo Nascimento (Comerciante)
Amaro Petrúcio (Professor)
Emanoel Amaral (Ilustrador)
Aldemário Lins  (Professor)


Ficha Técnica do Filme:
- Direção: HERMANO FIGUEIREDO
- Roteiro: HERMANO FIGUEIREDO e REGINA BARBOSA
- Diretor de fotografia: IVO LOPES
- Direção de Produção: REGINA BARBOSA
- Som direto: DANILO CARVALHO
- Edição: CHARLES NORTRUPH
- Trilha sonora: WILSON SANTOS
- Mixagem de áudio: BETO BRAGA
- Pesquisa: ALBERTO FLORES e HERMANO FIGUEIREDO
- Direção de arte: HERMANO FIGUEIREDO
- Cenografia: NATASKA CONRADO
- Teatro de sombras: JASIEL MARTINS
- Ilustrações: EMANOEL AMARAL e JOSÉ VICENTE
- Roteiro de HQ: PABLO CASADO
- Interpretação de textos: CHICO DE ASSIS
- Operador de áudio: GIL BRAGA
- Assistentes de produção: MARIA CLÁUDIA, LUANA BRENNAND,
DANIELE MENDONÇA, NATASKA CONRADO e ADSO MENDES
- Assistentes de cenografia: ADSO MENDES e LIS PAIM
- Assistentes de Pesquisa: DANILO MELO e NATASKA CONRADO
- Transcrição de depoimentos: ADSO MENDES e MARIA CLAUDIA
- Assistente de Teatro de sombras: JOSÉ VICENTE, GERALDO
PEREIRA, WANISSON ROCHA E GUSTAVO ROSA
- Eletricista: DANIEL MOISÉS
- Assistente de Câmera: BRUNO FELIPE
- Motorista: EDUARDO ERNESTO