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CALABAR |
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Calabar: um homem sem rosto para a posteridade mas que projetou seu nome numa controvérsia histórica para séculos depois da sua morte. ![]() |
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Evento de Lançamento CALABAR No dia 29 de março
de 2007, na
cidade de Maceió, aconteceu com grande sucesso o pré-lançamento de
CALABAR,
num evento que reuniu mais de 1500 pessoas que lotaram o maior teatro do
Estado de Alagoas, no Centro de Convenções. Este número expressivo para
assistir a um documentário demonstra como o tema mexe com o alagoano e
também atesta a popularidade do diretor e performer Hermano Figueiredo, que
há décadas vem desenvolvendo um trabalho pela democratização da produção
audiovisual e tem em seu currículo a direção de curtas premiados em
festivais nacionais e outros exibidos em mostras internacionais. |
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Os artigos, opiniões e depoimentos que chegaram sobre o filme
Opinião - por Ênio Lins* no nordeste brasileiro, no século XVII, e da controversa figura do mulato(?), do caboclo(?),
do pardo(?) Domingos Ferreira Calabar que fez a produção historiográfica nacional e local
se dividir em tentativas de classificá-lo ora como traidor, ora como herói. É um documento
contemporâneo não apenas porque trata o referido episódio histórico a partir de um conjunto
de interpretações produzidas no presente, mas justamente pela consciência aguda que
demonstra ter do processo.
Elegantemente construído a partir da querela histórica, não se prende, entretanto, a
nenhum dos estereótipos sugeridos; ao contrário: é elaborado de modo a ampliar o horizonte de
compreensão sobre o episódio, distinguindo, através de depoimentos pontuais de especialistas,
questões fundamentais a esta nova compreensão, como a necessária distinção entre os discursos da
memória e aqueles da história; ou a explicitação da idéia de que optar por uma ou outra classificação
(herói ou traidor) esclarece pouco sobre a controversa figura de Calabar e, menos ainda, sobre aquele
momento histórico.
Fruto de uma pesquisa que Hermano Figueiredo já vinha desenvolvendo há alguns anos,
contando com a assessoria do professor Alberto Flores, do curso de História da UFAL, o filme
resultou num surpreendente produto que demonstra a força e a importância da elaboração de
linguagem do documentário brasileiro (e alagoano), e que se inscreve, entre outras, numa tradição de
pesquisa embasada, e na necessária sensibilidade e capacidade de articulação do roteirista
e do diretor para dialogar com os discursos transversais que a contemporaneidade produz sobre
seu passado.
Além da acertada abordagem sobre o tema, de sua aguda sensibilidade contemporânea, o
filme de Hermano Figueiredo oferece soluções plásticas que incorporam outras linguagens, como
a do teatro de sombras; histórias em quadrinhos, estes e outros recursos criativos, que o cineasta
maneja com maestria, elegem um caminho narrativo que o possibilita tratar o tema pelo caminho
não-ficcional.
Descentrando referências de modo invulgar, como quando possibilitou o uso de ex-votos
num contexto inteiramente novo: o do esquartejamento; ou lançando mão de fusões de imagens e
de sons para explicitar o emaranhado de interrogações que pairam sobre o personagem, o filme de
Hermano Figueiredo, mesmo se debruçando sobre o século XVII, faz dialogar com o século XXI.
Todos os depoimentos que estão em *Calabar* acrescentam algo de importante, de
de fundamental ao texto fílmico e à reflexão contemporânea sobre o episódio, com os
discursos realizando uma costura argumentativa sutil e consistente. Essas falas, e as poesias
de Ledo Ivo e de Maurício de Macedo que integram o filme reverenciam a reflexão local sobre o
episódio. Mostram uma Alagoas pensante, pulsante; demonstram o quanto, mesmo peninsulares,
nos interessamos por nós. Calabar rompe com nosso isolamento porque nos faz dialogar.
A importância de *Calabar* enquanto registro contemporâneo - numa terra sem memória
como tem sido tantas vezes classificada Alagoas - é grande; isto porque são iniciativas como esta
que possibilitam que Alagoas dialogue com seu passado, com sua história, que desenvolva a
consciência de que está fazendo história também quando reflete sobre a história.
Mais do que ausência de memória, o problema em Alagoas parece ser, mais exatamente,
o de uma ausência de práticas de rememoração. Memória temos, em abundância, e reunimos por
aqui tantos fatos fundadores e fundantes que Alagoas poderia ser referência nacional da vida política
brasileira. Mas essa é uma outra história, com desdobramentos e conseqüências que a torna longa
demais para ser tratada aqui.
De toda forma, para todos os que se ressentem da falta de mediadores sociais em Alagoas,
da falta de ação por parte de pessoas que pelo capital cultural que detêm espera-se que se empenhem
na construção dos necessários "links" que toda sociedade tem que desenvolver para garantir, de forma
equilibrada, que o diálogo entre suas várias referências constitutivas se estabeleça, o filme de Hermano
é uma grata surpresa. E o Teatro Gustavo Leite estava lotado (uma média de 1500 pessoas) na noite do
dia 29 de março, quando o documentário foi lançado oficialmente para a sociedade alagoana numa grande
demonstração de força tanto do filme como do Programa DOCTV.
Evidentemente, este sucesso não teria sido completo sem a produção competente de Regina
Barbosa que, além de produtora de cinema é também escritora, editora e dirigente da Ideário
Comunicação e Cultura, esse engenho de boas idéias de onde o filme foi gerado. Teve ainda a
qualificada participação da Staff Vídeo em sua fase de execução. Importa dizer que coordenar a bom
termo um projeto como este, demonstra o amadurecimento da produção cultural local e sua capacidade
de nos oferecer excelentes frutos.
* É professora de Antropologia e pesquisadora do Laboratório da Cidade e do
Contemporâneo – LACC/ICS/UFAL.
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Veja clipagem
de principais noticias e matérias sobre o filme
Jornal Gazeta de
Alagoas. 29 de março de 2007 O Jornal - 28 de março
de 2007 Site Overmundo Agência Alagoas - Gabinete Civil
Comentário de Ênio Lins - Coluna Zé Elias - Jornal
Gazeta de Alagoas - 08.04.2007 ASSISTA
aos TRAILLERS, clique nos links abaixo: CALABAR 1/3
http://www.youtube.com/watch?v=FUPkA_0wELA CALABAR 2/3
http://www.youtube.com/watch?v=OUSd7mP1Ydc&mode=related&search
CALABAR 3/3
http://www.youtube.com/watch?v=S1IlvHldOXA&mode=related&search |
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