A vela acesa em São Miguel dos Milagres

Relato do evento . Praia de Porto da Rua . São Miguel dos Milagres . Alagoas.

Depois de quase duas horas de viagem, abandonamos a rodovia AL 101 e pegamos a estrada para Barra de Camaragibe. Cruzamos o rio por uma ponte construída na década de 1920, e ao chegar na cidade havia um painel informando que aquela era a terra natal do Aurélio Buarque de Holanda. Ao fim da rua principal, dobramos à esquerda, seguimos viagem e passamos pela Praia do Marceneiro — chegamos a são Miguel dos Milagres.

Passamos devagar pela sede do município em busca da praia de Porto da Rua, seguindo pela estrada com jeito de rua até onde ela passava ser rua, com jeito de estrada. Chegando a Porto da Rua, sentamos à mesa de um bar à beira mar e perguntamos a três rapazes numa mesa vizinha sobre o melhor local para um evento, e eles nos responderam que era ali mesmo, ao lado no mirante de porto da rua. Eram pescadores, que também trabalhavam levando turistas para passeios nas piscinas naturais. Gostaram de saber da sessão de cinema e concordaram
em montar nossa vela no barco de um deles. Informaram sobre quem eram os secretários da prefeitura,  e onde alugar uma moto para divulgação sonora.

Mais tarde, já na sala do Secretário de Turismo Municipal, ele nos garantiu o almoço da equipe no dia do evento. Informou sobre uma senhora, ex-dona do cartório, que havia escrito um livro sobre a História do município. Procuramos a Dona Enaura, que nos recebeu em sua casa e nos falou de uma imagem achada por um pescador, de uma fonte milagrosa e também de que a povoação começou com colonos que fugiram de Porto Calvo, depois da ocupação holandesa, descendo o Rio Manguaba em direção ao mar e chegando até onde hoje é a sede do município.

Fato curioso é que a cidade tem como padroeira a Nossa Senhora Mãe dos Homens, e não o ilustre arcanjo que dá nome à cidade. À noite seguimos para a praia, e deixamos Porto da Rua em direção à praia da sede do município até a casa dos pais da Alice Jardim, em frente ao mar, onde gentilmente fomos hospedados. Em seguida chegou a própria Alice, e no dia seguinte pela manhã  o resto da equipe. Após o almoço num restaurante ao lado do mirante, onde mais tarde receberíamos o público, cada um foi cuidando de sua função: uns revisando equipamentos, outros posicionando a jangada; as meninas da comunicação fotografavam ruas, paisagens e pessoas para exibir à noite na vela.

Visitamos, fotografamos e filmamos a tal fonte onde pessoas recolhiam água, que se crê ainda milagrosa, e no topo do morro o cruzeiro de onde se pode contemplar toda a cidade, entre outros fatos curiosos da cidade. Fizemos circular o Spot, anunciando a sessão pela moto de som, e ainda pedimos para ficar anunciando na barraca do reggae ao lado do local do evento. À noite, na hora marcada, o público começou a chegar timidamente, e só depois do terceiro curta começaram a lotar a mureta do mirante e as cadeiras na areia da praia. A sessão começou, e o público aplaudia efusivamente cada filme. As crianças, nas esteiras, estavam ansiosas e inquietas porque esperavam o momento de se verem na tela e, quando aconteceu, reagiram aos gritos, risadas e exclamações as mais variadas.

A equipe de um curta pernambucano, que estava sendo produzido ali mesmo em Porto da Rua, esteve presente; turistas vieram de pousadas, e todos da comunidade, que participaram de alguma forma, estavam encantados.

A sessão já se encaminhava para o fim, quando exibimos o documentário “Ruas, Porto e Milagres” que fizemos sobre aquela comunidade, que naquele momento se reconheceu na tela-vela. Quando anunciamos o último filme, alguém no público disse: “ Que pena!” e depois um “Voltem sempre!”. Mais aplausos.

Desmontamos a vela, guardamos os equipamentos e fomos para a casa, onde antes de dormir comemoramos mais uma exibição exitosa.

Por Hermano Figueiredo

O “Acenda Uma Vela” tem o  patrocínio do  Banco do Nordeste do Brasil, em parceria com o BNDES, Governo Federal. O projeto é realizado pela Ideário, que conta com o apoio da Algas, Gás de Alagoas S.A. e do IZP, Instituo Zumbi dos Palmares.

Fotografias: Alice Jardim, Nataska Conrado e Camila Cavalcante.
Texto Relato: Hermano Figueiredo.
Edição final de textos: Regina Barbosa

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