CINEMA NAS GROTAS

 Grota do Arroz_02
No Rio de Janeiro, em Recife e Salvador, a maioria dos sítios de pobreza são favelas trepadas nos morros, convexas e proeminentes. Em Maceió (até nisso a elite leva vantagem), a pobreza é côncava, abaixo do nível da cidade.

As grotas são o avesso topográfico e o equivalente sociológico dos morros. De nomes estranhos, às vezes curiosos: Grota do Arroz, Grota do Rafael, Grota do Cigano. Lá é difícil descer saúde, bem estar, lazer e desce fácil esgoto, enxurrada da chuva, barreiras desabando e a polícia.

Nos morros se foge pra cima, nas grotas só cavando ainda mais profundo o fundo já tão fundo do chão, sem sequer ter o consolo dos que vivem pertinho do céu, esses sobreviventes das Alagoas fazem brotar a subversiva alegria dos bois de carnaval, a criatividade nas soluções da mais improvável arquitetura.

Ali não se joga fora quase nada. Não se desperdiça qualquer possibilidade da mais pequena alegria. E se alegrando ruidosamente é assim que eles recebem com efusividade o cinema que desce e que fala da grande vida brasileira, um cinema que faz rir, faz chorar, que distrai e faz pensar.

Durante as atividades do OLHAR E VER, tendo a parceria da Universidade Federal de Alagoas, nos anos de 2004 a 2005; e  também, durante a realização do Projeto Ponto de Cultura Ideário, com a parceria do Ministério da Cultura (Programa Cultura Viva), nos anos de 2005 a 2008, aconteceram  diversas ações de cinema nas grotas.